Microfat e Nanofat usam gordura da própria paciente, mas não têm a mesma consistência nem a mesma função. Entenda quando o objetivo é devolver volume e quando o foco está na qualidade da pele.
Microfat e Nanofat têm nomes parecidos e partem do mesmo material: a gordura da própria paciente. Por isso, é comum imaginar que o Nanofat seja apenas uma versão mais delicada ou mais moderna do Microfat.
Na prática, o processamento do tecido muda suas características e, principalmente, sua finalidade no planejamento. Enquanto o Microfat é utilizado principalmente para reposição de volume e melhora de contorno, o Nanofat é um material mais processado, sem finalidade principal de volumização, que pode ser considerado para trabalhar aspectos relacionados à qualidade da pele.
Nenhuma das duas técnicas deve ser escolhida apenas pelo nome ou pela tendência do momento. A indicação depende de entender se a principal queixa está relacionada à perda de volume, a um sulco profundo, à textura da pele, a linhas superficiais ou a uma combinação desses fatores.
Microfat e Nanofat derivam de tecido adiposo coletado da própria paciente. Depois da coleta, a gordura passa por um processamento antes de ser aplicada na área planejada.
Por serem materiais autólogos, eles não são preenchedores industrializados. Isso, porém, não significa que sejam isentos de riscos ou automaticamente indicados para qualquer pessoa.
A coleta, o preparo e a aplicação precisam ser realizados com técnica, ambiente adequado e planejamento médico individualizado. Na região ao redor dos olhos, essa atenção é ainda mais importante devido à delicadeza dos tecidos e à proximidade com estruturas oculares.
O ponto em comum, portanto, é a origem do material. A diferença está na forma como ele é preparado e no objetivo que se busca alcançar.
O Microfat é uma forma de gordura processada para permitir sua utilização como enxerto em áreas que precisam de reposição de volume ou melhora de contorno.
Ele preserva pequenas partículas de tecido adiposo e é aplicado em quantidades controladas, em planos selecionados, conforme a anatomia da região. O objetivo principal é suavizar depressões, restaurar transições e devolver volume quando ele está reduzido ou mal distribuído.
Na região periocular, o Microfat pode ser considerado quando existem sulcos, perda de volume ou uma transição muito marcada entre a pálpebra e a face. A indicação exige avaliação criteriosa da espessura dos tecidos, da área a ser tratada e do risco de irregularidades.
O resultado não deve ser planejado como uma correção excessiva. A gordura enxertada pode ter absorção variável, e o excesso de volume pode alterar o contorno natural da região.
O Nanofat também é obtido a partir da gordura da própria paciente, mas passa por um processamento mais intenso, com emulsificação e filtragem que transformam o tecido em uma suspensão mais fina.
Esse material tem pouca capacidade de criar volume. Sua proposta clínica está mais relacionada à qualidade da pele, à textura e a alterações superficiais em casos selecionados.
Estudos descrevem a presença de componentes do estroma vascular e possíveis efeitos de remodelação da pele. No entanto, os protocolos de preparo, aplicação e avaliação dos resultados variam entre os estudos.
Por isso, não é adequado apresentar o Nanofat como uma “concentração de células-tronco” nem afirmar que ele regenera a pele de forma garantida. A literatura aponta possibilidades clínicas, mas ainda há variação na qualidade das evidências e nos resultados observados.
| Aspecto | Microfat | Nanofat |
| Processamento | Mantém pequenas partículas de gordura adequadas para enxertia | Passa por emulsificação e filtragem mais intensas, formando uma suspensão fina |
| Estrutura do material | Preserva tecido adiposo com finalidade de enxerto | Não tem como objetivo preservar estrutura para sustentação de volume |
| Objetivo principal | Restaurar volume e suavizar contornos | Trabalhar aspectos relacionados à qualidade e à textura da pele |
| Plano de aplicação | Pode ser utilizado em planos mais profundos, conforme a região e a indicação | Pode ser considerado em planos mais superficiais, conforme avaliação médica |
| Alterações que podem ser consideradas | Sulcos, depressões e perda de volume | Pele fina, textura e linhas superficiais em casos selecionados |
A tabela ajuda a organizar as diferenças, mas não substitui a avaliação. A escolha depende do componente que predomina em cada região, e uma técnica não é necessariamente melhor do que a outra.
O Microfat pode ser considerado quando a queixa está relacionada principalmente à perda de volume, a sulcos profundos ou a uma transição marcada entre a pálpebra inferior e a face.
Quando existe uma depressão abaixo dos olhos, por exemplo, a sombra pode acentuar a aparência de cansaço. Nesses casos, o planejamento pode avaliar se a reposição controlada de volume ajudaria a suavizar o contorno.
O material é obtido de uma área doadora da própria paciente e distribuído em pequenas quantidades, de acordo com a necessidade identificada. A definição da área doadora, da quantidade e do plano de aplicação depende da técnica e da anatomia individual.
É importante diferenciar o Microfat do reposicionamento da gordura palpebral. No reposicionamento, utiliza-se uma parte da gordura que já está presente na pálpebra. No Microfat, a gordura é coletada de outra região do corpo para ser enxertada onde há indicação de volume.
O Nanofat pode ser considerado quando o foco está em aspectos superficiais da pele, como textura, linhas finas e qualidade cutânea, sempre em casos selecionados.
A pele ao redor dos olhos é fina e pode apresentar alterações que não se resolvem apenas com o tratamento de volume. Em algumas situações, o Nanofat pode entrar como recurso complementar dentro de um planejamento que considera os diferentes componentes da região periocular.
Isso não significa que ele trate todos os tipos de olheira, substitua procedimentos cirúrgicos, dispense cuidados dermatológicos ou tenha o mesmo objetivo de tecnologias voltadas à pele.
Mesmo sem finalidade principal de volumização, o Nanofat não é isento de efeitos e riscos. Edema, vermelhidão, irregularidades e resposta variável do tecido precisam ser considerados antes da indicação.
Leia também: Nanofat: entenda como a técnica pode ser utilizada na região dos olhos
A associação pode ser considerada quando há, ao mesmo tempo, perda de volume e alteração da qualidade da pele.
Nessa situação, o Microfat pode ter uma função voltada ao contorno, enquanto o Nanofat pode ser planejado para atuar sobre aspectos mais superficiais. Cada material precisa ter um objetivo claro dentro da proposta de tratamento.
Combinar as técnicas não significa potencializar automaticamente o resultado. Em alguns casos, apenas uma delas será necessária. Em outros, nenhuma será a melhor escolha.
A decisão deve ser baseada na anatomia, na segurança e na necessidade real da paciente, e não na ideia de utilizar o maior número possível de recursos.
De forma geral, o procedimento envolve a escolha de uma área doadora, a coleta de uma pequena quantidade de gordura, o processamento do tecido e a aplicação na região planejada.
O modo como a gordura é preparada varia conforme o objetivo. Para o Microfat, o processamento busca obter um material apropriado para enxertia de volume. Para o Nanofat, o tecido passa por etapas adicionais para se tornar uma suspensão mais fina.
Detalhes como a área doadora, a forma de coleta, o tipo de anestesia, os instrumentos utilizados e o volume aplicado são definidos individualmente. Não existe uma técnica única que deva ser reproduzida para todas as pacientes.
O uso de gordura da própria paciente reduz algumas preocupações relacionadas a materiais sintéticos, mas não elimina riscos.
Podem ocorrer edema, hematomas, assimetrias, irregularidades, infecção, absorção variável da gordura enxertada e necessidade de ajustes. A possibilidade e a intensidade dessas alterações dependem da técnica, da região tratada, da resposta individual dos tecidos e dos cuidados após o procedimento.
Na área ao redor dos olhos, o conhecimento detalhado da anatomia é indispensável. A indicação deve levar em conta não apenas a aparência, mas também a saúde ocular, a posição das pálpebras e a segurança da região.
Por isso, Microfat e Nanofat não devem ser apresentados como procedimentos simples ou livres de riscos.
A escolha começa pelo diagnóstico, e não pelo nome da técnica.
Entre os fatores considerados estão:
Quando existe uma depressão estrutural importante, tratar apenas a superfície da pele pode ser insuficiente. Da mesma forma, adicionar volume não resolve sozinho uma alteração que está principalmente na qualidade cutânea.
Naturalidade não significa colocar gordura em toda região que parece cansada. Também não significa tratar somente a superfície quando existe uma perda de volume relevante.
O Microfat precisa ser planejado com moderação para não pesar ou alterar o contorno do olhar. O Nanofat, por sua vez, não deve ser apresentado como solução universal para qualquer alteração da pele.
Um resultado equilibrado depende de entender o objetivo certo para cada material e de intervir apenas no que realmente precisa ser tratado.
A Dra. Juliana Carrion é médica oftalmologista especialista em cirurgia plástica ocular, com residência em Oftalmologia e fellowship em Oculoplástica no Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
Sua avaliação considera de forma integrada a anatomia das pálpebras, os sulcos, o volume facial, a qualidade da pele e a função ocular. Microfat e Nanofat podem ser recursos complementares em casos selecionados, mas não são etapas obrigatórias de um planejamento periocular.
Microfat e Nanofat podem ter funções diferentes, mas a indicação depende do que realmente precisa ser tratado. Agende uma avaliação com a Dra. Juliana Carrion para entender se a sua queixa está relacionada à perda de volume, à qualidade da pele ou à combinação desses fatores.